Cenas

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Homem feio e mulher bonita combinam

Um estudo de cientistas americanos indicou que os casamentos têm mais chance de dar certo quando a mulher é mais bonita do que o homem.


A pesquisa, conduzida por uma equipa de psicólogos da Universidade do Tennessee, analisou como a diferença entre o "nível de atractividade" dos parceiros se relaciona com a satisfação de um casal.

Através de entrevistas com cerca de 80 casais recém-casados, os cientistas perceberam que a beleza teve efeitos "robustos e universalmente positivos" no início dos relacionamentos.

Mas, na vida futura do casal, "os homens mais bonitos estavam menos satisfeitos", segundo um artigo publicado na revista científica "Journal of Family Psychology".

"Os homens mais bonitos do que as suas parceiras demonstraram tendência a oferecer menos apoio emocional e prático às suas esposas", avaliou o professor James McNulty, que coordenou o estudo, segundo o jornal britânico "Daily Mail".

"Homens mais bonitos têm à disposição mais possibilidades de relacionamentos de curto prazo, o que os torna menos satisfeitos e comprometidos com o relacionamento."

No artigo, os pesquisadores afirmam que níveis similares de beleza foram importantes no início do relacionamento – mas foram perdendo importância à medida que a relação evoluía.

Segundo eles, "ambos os parceiros se comportaram mais positivamente em relacionamentos em que as mulheres eram mais atraentes que seus maridos, e negativamente nos relacionamentos em que os homens eram mais atraentes que suas mulheres”.

Eu sempre disse o mesmo.
:P

domingo, 13 de abril de 2008

Nós, os caixas-d'óculos

"Um caixa-d'óculos é uma criatura que acredita que uma prótese é melhor que o seu próprio corpo. Como explicar a recusa das agora absolutamente vulgarizadas lentes de contacto? Sim, dão uma trabalheira, parece que se perdem por dá cá aquela palha e perturbam a caça ao "cisco" no olho.

Mas a mais definitiva das razões é que os caixas-d'óculos passaram a gostar mais dos seus óculos do que dos seus olhos. Habituaram-se. Descobriram na prótese uma harmonia qualquer antes inexistente na matéria que Deus lhe deu. Adoptaram um pedaço de massa ou de metal e adjudicaram-no à área de reserva protegida do seu próprio corpo. Têm qualquer coisa a mais ou a menos mas não são infelizes.

Usar óculos tem vantagens, a começar por aquela muito básica - servem para contentar o impulso muito humano de "ter à mão qualquer coisa a que se agarrar". Por isso e outras coisas, os caixas-d'óculos criam relações estapafúrdias com os óculos, como se faz com toda e qualquer coisa do céu e da Terra de que se tenha extrema dependência. P. dizia ontem que sente os óculos como uma espécie de "melhores amigos". N. nunca permitiu que lhe tocassem nos óculos, nem ao de leve. M. nunca fez nada, quase nada, sem óculos (menos tomar banho e dormir). Aquela turbamulta que, nos hospitais, nos retira sanguinariamente os óculos quando entramos em estados mais delicados não percebe que nos está psicologicamente a derrubar e a derrotar a última das nossas defesas. A retirar-nos, até melhores notícias, uma parte vital do corpo. A sonegar-nos o direito à personalidade - que, é o que toda a gente diz, se vê nos olhos e os nossos são assim.

Quando um caixa-d'óculos muda de óculos segue o ritual da operação plástica: que nariz novo agora vou escolher? Aumento o peito e para quanto? Faço uma lipoaspiração? E se, depois, não me reconheço? Hoje, a banalização das plásticas permitiu que grandes franjas do corpo se tivessem tornado amovíveis e modificáveis ao sabor dos ventos. Nós, os caixas-d'óculos precoces, convivemos com isso desde pequeninos. E mudar de corpo, por acaso, não é uma coisa nem tão engraçada nem tão fácil assim."

Ana Sá Lopes in DN Online

Breve apresentação

Foi aos cinco anos que me diagnosticaram miopia. Desde então, usar óculos tornou-se tão trivial como respirar. Foi através deles que aprendi o abecedário, que li os meus primeiros livros, que vi o sorriso dos meus amigos e que conheci o mundo tal e qual como ele o é. De facto é incrível pensar que tudo o que eu vi foi filtrado por este pequeno e tão simples objecto. Por isso, os meus óculos deixaram de ser acessório e começaram a fazer parte de mim. Assim, para além de cabeça, tronco e membros, tenho também este pequeno objecto de metal que outrora foi de massa e de outras dimensões.

Os meus primeiros óculos foram o que se chama agora de "óculos de aviador". Lembro-me que a armação era feita de cobre e que as lentes eram maiores do que a minha cara. No início era horrível colocar todos os dias aquele pedaço de metal que me deixava marcas no nariz mas, progressivamente, comecei-me a acostumar à ideia. A certa altura, a armação começou a ganhar aquilo que chamamos de verdete, devido à oxidação do cobre, e não sei se por bem ou se por mal, tive que mudar de óculos.

Os meus segundos óculos tinham armação em massa e eram pretos. A sua escolha foi muito influenciada pelo meu pai que, na altura, dizia que a moda era usar óculos de massa pretos (porque a senhora do telejornal usava uns).As lentes, apesar de terem dimensões menores, possuíam uma graduação maior pelo que eu notava uma maior dificuldade em ver sem óculos. Como a dependência era maior, habituei-me de tal forma que já nem reparava neles (uma vez estava a tomar banho e só me apercebi que estava com óculos quando comecei a ver a água a deslizar pelas lentes). Apesar de os ter trocado muitas vezes devido a lentes quebradas ou armações partidas, segui durante muito tempo o mesmo "modelo da moda" que me atribuiu muitas vezes a alcunha de "o caixa-d'óculos".

Porém, os tempos foram mudando e apercebi-me que o que realmente me ficava bem eram óculos de armação fina e discreta. E aqui estou eu, hoje, com óculos mais discretos (julgo eu) pronto para entrar outra vez no chuveiro com eles.

Usei óculos durante mais de metade da minha existência, começando a usá-los, como já referi, desde muito novo. Hoje creio que isso tenha afectado muito a minha personalidade. Estereótipo ou coincidência, regra geral, o desporto dos rapazes é o futebol. Esta visão rígida, imposta desde muito cedo, assombra o passado de pessoas como eu, que não têm jeitinho nenhum com os pés. Lembro-me que era habitual, no recreio da primária, os rapazes jogarem à bola e as raparigas brincarem ás casinhas. Pondo deste modo as coisas, era óbvio que o meu trabalho, como cidadão do sexo masculino integrante naquela escola primária, seria jogar futebol. Porém, no processo de selecção e formação de equipas ficava sempre para último e, durante o jogo, raramente me passavam a bola, ou raramente eu a via. Isto porque, para jogar futebol, ou tirava os óculos (e não via a bola) ou corria o risco de os partir (o que equivaleria a umas valentes marcas da mão do meu pai nas minhas nádegas). Ora, como é que eu, sendo um "caixa-d'óculos" precoce, iria conseguir fazer evoluir as minhas capacidades futebolísticas? Na altura considerava isto como uma mera incompatibilidade ditada pela mãe natureza. Foi por isso que acabava a brincar ás casinhas com as raparigas e a dizer que o futebol era um desporto muito violento. Conclusão: nunca tive jeitinho nenhum para a bola.

Dez anos depois, decidi criar este blog para homenagear todos os meus óculos que, apesar de terem excluido do mundo do futebol, me ajudaram a ver as coisas de outra forma.

Um bem haja a todos eles, desde os partidos até aos molhados pelo chuveiro!