Cenas

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Liberdade.


Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Uma folha branca.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Looking for Nothing


Macka wants to ride on the Mouse and the Tilt-A-Whirl
Canada is looking for a smile from a pin-up girl
But I ain't looking for nothing
Just spend the money I made
I ain't gotta do nothing today

Everybody's waiting for their thing just to come along
They all got something they can pin all their feelings on

But I ain't looking for nothing
Just spend the money I made
I ain't looking for nothing today

I got high on the ferris wheel
Didn't like how it made me feel
So alone
Another cog in the loading zone

Macka went on home when the fireworks and rides were done
Canada got busted with a girl who was way too young
But I wasn't looking for nothing
Not trouble, money or thrills
"Cause when you're looking for nothing
Babe, it's not the speed that kills

Oh I'm not looking for nothing
Just spend my money and go
I'm not looking for nothing
To put me in the rodeo.

(Aimee Mann)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um dia na minha vida.



Se algum dia fizerem a minha biografia, aviso desde já que se vão ver gregos.

A minha história pessoal envolve altos e baixos suficientes para dar uma boa montanha russa (daquelas que quase ninguém anda com o medo). E não me refiro ás coisas boas ou ás coisas más que acontecem na minha vida, mas ao meu estado de espírito! Sou capaz de me deitar feliz por ter escrito um texto que me agradou e acordar no dia seguinte a detestá-lo por o considerar lamechas.

Esperem! Eu acho que já vi isto em algum sítio...

Sim, é isso! Alguém já me tinha avisado.

"A puberdade é acompanhada de mudanças de espírito radicais fruto do processo de amadurecimento, blá, blá, blá..."

Visto que a minha pessoa só existe na óptica das borbulhas na cara e que vidinha só tenho esta, devo dizer que me defino como indefinível.

Defendo políticas que considero correctas pela sua irreverência no quebrar preconceitos e estereótipos e acabo por me misturar com a vergonha e com a ataraxia por cada vez que tento pôr o pé para além da linha limite.

Preocupo-me exageradamente com a estética de tudo o que me rodeia, da organização, da harmonia cromática, do redondo e do esbelto, da luz, do som, do aroma, do toque... mas o meu quarto está permanentemente desarrumado e continuo a não ser exemplo para ninguém no que toca a vestir - não tenho jeitinho nenhum - já para não falar da preguiça para cortar a barba.

Mas a minha história pessoal não se fica por aí, na montanha russa!

Não, não,não!

O meu quotidiano é digno de filme!

Ok, de série!

Pronto, de novela!

Livro?

...

Que diriam vocês de um rapaz que acorda, toma o pequeno almoço a correr para chegar a horas a um jogo de futebol marcado (ele que nem é muito de futebois, mas pronto vá, é uma maneira de estar com os amigos) e acaba por chegar atrasado, ficando á baliza? Um rapaz que não defende uma ova e ainda leva com uma bola no meio das pernas (para os que não sabem, a dor tem uma duração de aproximadamente meia hora - fora os danos psicológicos)? Um rapaz que vai para a praia com um frio de morrer, dá um mergulho, bate com a cabeça na areia ao megulhar, sai da água e descobre que foi picado por um peixe aranha? E que diriam vocês se eu vos dissesse que isto tudo aconteceu num só dia e que esse rapaz sou eu?

Deixo-vos a pensar.

...

Sim, isto é verídico e não, não me estou a lamentar. Simplesmente acho fantástica e cómica a maneira como se desenrola a minha vida! Parece mesmo que faço parte dum argumento de cinema! Não é altamente?

E é a pensar nisto que acordo para enfrentar mais um dia.

Sabem que mais?

Considero-me um sortudo por ser assim! Cada experiência, cada momento...

Cada tombo de rabo dado a cortar a relva de uma inclinação de uma casa para juntar uns trocos...
Cada embaraço por ser por vezes cromo ou até por não saber o que dizer...
Cada mistela que faço na cozinha, apenas porque sabe bem...
Cada vez que faço de "mulher a dias" (frustrado)...
Cada maluqueira que me dá em cada vez que estou "bêbado de sono" (ou até mesmo sóbrio)...
Cada tristeza que me faz pensar que sou a pessoa mais infeliz do mundo...
Cada revolta que me transcende em demasia...
Cada minha insegurança (um drama!)...
Cada vez que me apetece fazer um "freeze" no meio da rua (com toda a gente a pensar que sou maluco - e ok, até sou)...
Cada vez que abano a cabeça de um lado para o outro, rodando de cima para baixo num ritmo digno de epilepsia...
Cada experiência que não passa pela cabeça por ninguém, mas que não hesito em experimentar por ser genuína e pura, por ter sido apanhada por acaso...
Cada vez que me negam por ser assim...



Enfim, cada minuto da minha vida.

Este sou eu. Muito prazer!

Férias, catano!



Eu sei que ultimamente tenho escrito pouco...

Ok, quase nada...

Pronto, nada!

Digamos que ultimamente tenho aproveitado para desfrutar aquilo a que os seres humanos chamam de férias e pôr de parte o que de racional há em mim.

Tirei FÉRIAS ao pensamento!

Chegarei a Setembro sem saber escrever uma única frase imune de um valente erro ortográfico, sem perceber patavina de trigonometria, funções e complexos e sem me recordar do que fiz nas férias...

Que se lixe!

RESET total á máquina que outrora quase dava o pifo!

domingo, 27 de julho de 2008

Ironia da vida

A vida é irónica.


Estive eu numa noite a desesperar com a matéria de fisico-quimica, com medo do exame, a levantar hipóteses sobre o que poderia ou não sair.



Hoje limpo vidros com as folhas do jornal onde saiu a correcção do exame de física e química.

domingo, 6 de julho de 2008

Lotaria dá gasolina



A nova lotaria da Flórida surpreendeu-me com os seus prémios... vá, diferentes!

Chama-se "Dinheiro de Verão" e (imaginem só) vai oferecer gasolina ou gasóleo para a toda a vida aos seus premiados!

Estão a ver terem gasolina até irem desta pra melhor, À BORLIU? Qualquer coisa como consolar os desejos de deslocação mais excêntricos, dar, vender (sim, poderíamos certamente vender a um preço mais acessivel e fazer fortunas), deitar fora e até dar um mergulho em piscinas de combustível!

Esta ideia original surgiu de uma sondagem na Internet cujos resultados apontaram para uma preocupação da sociedade americana face ao elevado preço dos combustíveis, digno de recorde.

O boletim custa 5 dólares ( 3 euros) e estará á venda a partir do dia 9 de Julho no Estado da Flórida (pena não ser cá) e será sorteado todas as quartas-feiras até ao final de Agosto.


Dos premiados, cinco usufruiram de combustivel á pala enquanto forem vivos, cinquenta terão o depósito cheio durante um ano e ainda há a possibilidade de ganharem 160 mil euros.


É caso para dizer qual euro milhões qual quê.




(Sempre sonhei ter um bem que fosse ilimitado para poder usufruir de todas as suas potencialidades. Começou com as bolachas que a minha mãe trazia para aqui para casa quando era mais novo. Como até eram boas e acabavam num instante, sonhava ter um armazém de bolachas por minha conta, para comer as que quisesse e fazer o que bem me apetecesse com elas. Hehehe)

sábado, 5 de julho de 2008

Pedras no caminho?

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo... "

Fernando Pessoa



Dado a conhecer pela Be através de uma conversa no MSN a propósito dos erros e obstáculos da vida. AMEI! Acabamos a falar do autor até ás 3 e meia da manhã.

Continuo a achar que este homem é um génio!

O nosso "nandinho" é o maior! :')

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O mundo num cifrão



Cifrões, cifrões, cifrões.

O mundo gira à volta de cifrões.

Não há uma conversa, cá em casa, ao jantar que não fale de cifrões;
Não há um problema cuja causa não sejam os cifrões;
Não há um sonho que não seja impedido pelos cifrões;
Não há um grito que não seja abafado pelos cifrões;
Não há uma vida que não seja condicionada pelos cifrões;

E, pior do que isto,

Não há respostas porque são precisos cifrões.

Somos realmente muito limitados no que toca à nossa liberdade. No entanto, é o próprio ser humano que cria à sua volta esta gaiola que o aprisiona. Seria necessário tudo isto?

Não me questiono deste modo por ser materialista e querer ter tudo, mas porque vejo-me constantemente impedido de voar. Porque, no final de contas,

...não há uma asa que não seja cortada pelos cifrões.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O meu conceito de vida



O conceito de vida é naturalmente subjectivo dado que subjectiva é a história pessoal de cada um. E qual é a minha história?

Bem, se neste momento me pudesse ver no espelho, veria um rapaz borbulhento, sem jeito para as raparigas, dorminhoco, menino da sua mãe, repleto de sonhos e ambições, preocupado com o mundo á sua volta. Veria uns olhos cansados, um sorriso gasto e uma postura semi-erecta de quem está prestes a cair ao chão. Ao mesmo tempo, veria uns olhos arregalados de quem quer possuir o mundo num momento só, um sorriso único de orelha a orelha e uma postura confiante capaz de enfrentar o pior dos apocalipses. Quem sou eu?

Um paradoxo. A vida é um paradoxo. Passamos a vida a elaborá-los inconscientemente. Por defeito, buscamos diariamente a perfeição, a felicidade que, para ser atingida, exigiria a unidade do mundo. Mas como agradar a gregos e a troianos? Por outro lado, é bom sermos todos diferentes, termos conceitos diferentes, quebrar a monotonia do formal e do "unilateral". Como poderemos ser felizes deste modo, sem certezas?

Partilho a "ingenuidade" de Alberto Caeiro. Para quê saber se o Sol liberta hidrogénio se nos basta sentir o seu calor? Para quê compreender os processos físicos e químicos dos átomos se nada passa de matéria? Que interessa a formação do mundo, quando temos a possibilidade de nos deitarmos num prado verdejante, alheios a tudo,cheirando o aroma perfumado das mais belas margaridas?

Este é o meu conceito de vida... Vivamos apenas!


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Com a cabeça a andar á roda...




Com a cabeça a andar á roda, é assim que eu me sinto.
É assim que olho as estrelas do firmamento nesta noite em que o luar não passa de pontos brilhantes no infinito pano negro do céu. Mas nem isso me acalma, pelo contrário, fico mais interrogativo num emaranhado de questões e cansaço. Parece que de repente acordei e voilá! apareci aqui na Terra, vindo do nada! E agora vou vivendo! E nem sequer me entregaram um manual de instruções. Que indignação! Vejo toda a gente a andar para a frente e eu ainda não saio do sítio! Precisamente porque não sei! Não sei quem sou eu, nem donde vim, nem para onde vou, nem qual é a minha função no meio de isto tudo. E por entre esta retórica toda, vem ao de cima a minha instabilidade e a minha falta de segurança. Será que devo? Será que posso? Mas também, não paro de tentar encontrar respostas! Parar é morrer e antes de querer chegar ao patamar da morte ainda quero pelo menos tentar perceber o patamar da vida. Pelo menos tentar… desfruta-lo, se for possível.




Senhor criador do universo, será possível?


































Ficam os pontos brilhantes no infinito pano negro do céu como resposta.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mais um que passou...




A campainha toca,

corta-se o plástico,

retiram-se as folhas,

distribuem-se os exames.

Abro,

tremo,

sufoco,

respiro.

Primeira página.

Paro,

imagino,

suponho,

penso,

não percebo...

Olho,

são apenas folhas,

são apenas letras,

e que pensam elas?

Sentir-se-ão importantes

por serem causadoras

de pressões,

e angustias,

noites mal dormidas,

exageros,

desespero estudantil?

Não,

continuam ali,

inocentes,

ingénuas,

vivendo o seu destino,

cumprindo a sua função...

e eu, ali...

tremo

sufoco

respiro

Quero mostrar

que sou capaz

que consigo

quero satisfazer

sonhos

ambições

expectativas

Mas,

acabo por não acertar

na percentagem 1/4

e isso mata-me,

destrói-me,

derruba-me,

desmoraliza-me...

O passado

pesa como uma realidade de nada.

O futuro

pesa como uma possibilidade de tudo.

E no presente,

não saio do sítio...

É angustiante

esta angústia

pela qual

tremo,

sufoco

e respiro.



TRIIIIMM!!!!!!


...mais um que passou!

sábado, 14 de junho de 2008

O meu movimento filosófico



Hoje, 14 de Junho de 2008, decidi criar um novo movimento filosófico. Não sei se terei seguidores, se alguma vez isto ficará para a história ou até se já existe um parecido, mas isso também é o que menos importa.

Quero criar um movimento universal filosófico.

E como todos os movimentos têm um nome, irei chamar a este Unicismo.

Partindo dos seguintes pressupostos:

- Tudo se transforma consoante possibilidades infinitas;
- Nada se repete;
- Cada momento é único;

Se pensarmos num acção, saltar, por exemplo, constatamos que nos é impossível executá-la duas vezes da mesma forma. Assim, dois saltos nunca serão iguais. Podemos saltar no mesmo sítio e até com a mesma intensidade, mas o contexto interno e externo já serão diferentes.

Vou dar outro exemplo: os ponteiros do relógio passam, no mínimo, duas vezes por dia pelo mesmo local. Porém, as circunstâncias das suas passagens são completamente diferentes se as comparar-mos (a quantidade de bateria, o atrito do ar, etc, etc.).

Isto remete-nos para a fugacidade do tempo e para a tão banal expressão dos nossos dias: "aproveitar cada momento como se fosse o último". O facto é que, mesmo alertados, nunca temos a real consciência de que esta vida são dois dias e um já passou.



E não me refiro apenas ao tempo, mas ao universo em geral. Não acredito na clonagem nem na seriação porque considero que não se pode falar em semelhanças quando os contextos nunca são exactamente iguais.

Sendo assim,

Cada momento é um momento;
Nada é igual a nada;

Tudo é único.



[Ás vezes perco a noção das inúmeras possibilidades que possuo de inventar, criar ou modificar o mundo à minha volta e até o mundo imaginário. Estes pequenos devaneios servem precisamente para me relembrar que estou vivo e que o posso fazer. Há em nós uma enorme quantidade de potenciais a serem descobertos, uma enorme quantidade de "pratos" a serem experimentada, se é que me faço entender.]

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O tempo não pára...


Dia 5 da semana de clausura: Estudar Português e... apetece-me ver um filme!

O tempo não pára e eu estou a perder a vontade de estudar... =/

Este calor também não ajuda.

Bahhhh!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Problemas de expressão



Palavras bonitas, alegres, sinceras, simpáticas, dóceis...
Onde estão elas?
Onde estão elas que não aparecem?
Correm-me nas veias grandes forças...

... mas a minha boca permanece calada.

Palavras, feias, horríveis, amargas, azedas, desesperantes...
Onde estão elas?
Onde estão elas que não aparecem?
Correm-me nas veias grandes forças...

... mas o meu lápis permanece pousado.

Palavras para ti e para mim, aqui, ali e acolá...
Onde estão elas?
Onde estão elas que não aparecem?
Correm-me nas veias grandes forças...

... mas o meu ser permanece fechado.

Eu sei que para me ouvir,

Não se irão calar os corações,
Não se vai calar o ruído,
Não se vai calar o mundo...


Mas, por favor...

... não se me calem as palavras!

By me (a meio do exercício 11.4 de matemática) =D